Polícia investiga homicídio de jovem indígena morto a pauladas

Polícia investiga homicídio de jovem indígena morto a pauladas

A Polícia Civil de Guajará-Mirim (RO), a 330 quilômetros de Porto Velho, investiga a morte de um adolescente indígena de 15 anos. O crime ocorreu na tarde da última sexta-feira (15) na zona rural do município. De acordo com a polícia, que divulgou o caso na manhã desta segunda-feira (18), a vítima foi morta a pauladas por outro adolescente indígena da mesma idade e que mora na mesma aldeia. O menor infrator foi localizado pelo Polícia Militar (PM) e em depoimento, no último domingo (17), confessou o crime.

Conforme o boletim de ocorrência, os dois adolescentes são da Aldeia Ricardo Franco localizada na Reserva Indígena de Sagarana, no Rio Guaporé. Após o crime, o menor escondeu o corpo da vítima em um matagal e voltou para casa. Moradores encontraram o corpo da vítima na estrada que dá acesso à aldeia e chamaram a PM. Após denúncia, os policiais localizaram o infrator na tarde do último sábado (16).

A Perícia Técnica Criminal da Polícia Civil foi chamada e realizou os trabalhos periciais no local do crime. A família fez o reconhecimento do corpo, que após a perícia, foi liberado para necropsia, que vai atestar a causa da morte, e em seguida foi liberado para a família.

Em entrevista ao G1, a delegada de Polícia Civil, Fabrízia Elias, disse que durante o depoimento o adolescente confessou a autoria do homicídio e contou detalhes de como o crime aconteceu.

“Eles [vítima e infrator] estavam embriagados e foram juntos para o distrito de Surpresa, onde compraram bebidas alcoólicas. Durante o retorno para a aldeia acabaram se desentendendo. A discussão virou uma briga e houve agressões mútuas, mas o menor infrator se apoderou de um pedaço de madeira e deu vários golpes no rosto e na cabeça da vítima, que morreu no local”, declarou Fabrízia.

A delegada explicou ainda que o menor não foi apreendido e o caso foi transferido para a Delegacia Especializada da Criança e do Adolescente (DECA).

“O menor infrator foi liberado ao responsável legal em virtude da não flagrância e, posteriormente, foi remetido ao DECA para conclusão do procedimento e remessa do processo ao Ministério Público (MP)”, concluiu.

Ao G1, o coordenador regional da Fundação Nacional do Índio em Guajará-Mirim (Funai), João Soares, relatou que o crime ocorrido é um fato atípico e não há histórico de conflitos entre os indígenas na localidade.

“O que aconteceu foi uma fatalidade, um caso isolado. A aldeia é politizada, com internet, energia elétrica, enfim, é urbanizada. Realizamos constantes trabalhos voltados ao combate à violência, drogas, álcool e doenças sexualmente transmissíveis.Estamos acompanhando o caso e vamos ajudar no que for possível”, disse Soares.

De acordo com a Funai, a Aldeia Ricardo Franco é a maior do Rio Guaporé, onde moram mais de 500 índios de várias etnias.

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